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Educação e Internet

(Rui Moura, 1999)

 

 

Introdução

Vivemos hoje num mundo de constantes transformações aos mais diversos níveis: político, social, económico, educativo, tecnológico, etc. Projectos que tempos atrás eram do âmbito da ficção científica, são agora uma realidade entre nós.

Duas das áreas que mais evoluíram nesta fase final do nosso século foram a informática e as telecomunicações. Nesta década um novo espaço de comunicação globalizou-se e deixou de estar restrito apenas a algumas pessoas: a Internet. Hoje com este meio é possível trocar informações instantaneamente, e aceder rapidamente a novas soluções. Assim, é pertinente considerar esta nova ferramenta como um precioso auxílio na aprendizagem.

Este trabalho encontra-se dividido em duas partes principais: 1) perspectivas educacionais; e 2) a Internet na aprendizagem. A primeira parte procura apresentar algumas correntes na área das Ciências da Educação, que ajudam a oferecer um quadro teórico sobre a aprendizagem numa perspectiva de interacção: o construtivismo, a perspectiva crítica, e a aprendizagem autodirigida.

A segunda parte procura descrever o impacto que a Internet pode ter na aprendizagem. Tendo em vista esta finalidade, considera-se importante, também, conhecer um pouco da história da Internet, as suas principais ferramentas, e as suas possibilidades. Não se trata de forma alguma de um estudo exaustivo sobre o impacto da Internet na educação, mas de um pequeno documento que poderá ajudar a ver a net de forma diferente, aparecendo como um novo meio que professores e alunos têm à sua disposição

 

 

Perspectivas Educacionais

As novas correntes de aprendizagem acentuam o facto de ser o indivíduo a construir o conhecimento. No entanto, tal facto não significa isolamento, nem individualismo. Hoje acentua-se a necessidade de em situação de aprendizagem o aprendente se relacionar com os outros. Mesmo em projectos de aprendizagem autónoma, ou autodirigida, o indivíduo tem de ser capaz de interagir com os outros. Desta forma, será importante abordar três perspectivas educativas que poderão oferecer um quadro teórico na utilização da Internet em situações de aprendizagem: o construtivismo , a perspectiva crítica, e a aprendizagem autodirigida.

 

O Construtivismo

Esta corrente tem origens variadas como os trabalhos de Piaget e de Vygotsky, entre muitos outros. Também a nova forma de a ciência encarar a realidade, colocando a ênfase na relatividade do conhecimento (Popper, 1963), contribuiu para a visão construtivista da realidade. Pode-se, pois, constatar que o construtivismo é uma corrente que tem um grande e variado conjunto de influências, não sendo uma teoria monolítica singular, mas um conjunto de perspectivas ligadas por uma similar visão do mundo. Assim, o discurso acerca do mundo não é uma reflexão sobre o mundo, mas um artefacto social. Segundo esta teoria existe uma predisposição inata do ser humano para dar sentido ao mundo que o rodeia:

 

Em vez de absorver ou receber passivamente o conhecimento objectivo do que está 'lá fora,' os aprendentes constróem activamente o conhecimento ao integrar a nova informação e experiências no que já tinham compreendido anteriormente, revendo e reinterpretando o antigo conhecimento em ordem a reconciliá-lo com o novo. (Kerka, 1997, p. 1)

 

Desta forma, o conhecimento é construído pelo aprendente. Esta corrente destaca o papel do indivíduo na interpretação da realidade que o envolve. Esta perspectiva assume-se como contraponto à teoria behavorista, para a qual o conhecimento não era mais do que a acumulação de factos verificados empiricamente, derivados directamente da observação e da experiência. Para o construtivismo o conhecimento não é um processo de replicação e de cópia. Assim, a concepção determina a percepção, ou seja, o indivíduo conhece a realidade ao agir nela. Desta forma, o conhecimento não é uma cópia nem um espelho da realidade, "mas as formas e conteúdos do conhecimento são construídos pela pessoa" (Candy, 1991, p. 263). É preciso, no entanto, ressalvar que esta perspectiva não nega a existência do mundo real que envolve o aprendente.

Vários autores (Brookfield, 1993; Heaney, 1995; Candy, 1991) criticam a excessiva ênfase sobre o indivíduo, "quando as investigações mais recentes da psicologia social têm dado atenção ao contexto social e histórico da construção individual de sentidos." (Candy, 1991, p. 255). Apesar destas críticas é necessário considerar que o construtivismo não é uma teoria monolítica e uniforme. Kerka (1997) observa que alguns autores desta corrente consideram que apesar da aprendizagem ser uma questão de interpretação e construção pessoal, essa mesma aprendizagem tem lugar num contexto social.

O construtivismo acentua a natureza inter-relalacional do conhecimento. O sujeito não conhece a realidade em si, mas o acto pelo qual ele percebe a interacção entre as coisas. "a cognição do mundo impõe uma reflexão sobre o mundo da cognição." (Roggero, 1996, p. 8). Candy (1991) sintetiza da seguinte forma as principais características desta corrente:

 

As pessoas participam na construção da realidade.

A construção ocorre dentro de um contexto que influência as pessoas.

A construção é uma actividade constante que se centra na novidade e mudança em vez de condições fixas.

As categorias e conhecimentos aceites comumente são construtos sociais, não derivando da observação.

As formas de entendimento dependem das vicissitudes dos processos sociais, não na validade empírica das perspectivas.

Formas negociadas de entendimento estão integralmente relacionadas com outras actividades humanas.

Os ‘sujeitos’ da investigação devem ser considerados como seres de ‘conhecimento’.

O centro do controlo reside nos próprios sujeitos, e o comportamento complexo é construído propositadamente.

Os seres humanos podem efectuar comunicações complexas e organizar rapidamente a complexidade.

As interacções humanas são baseadas nos papéis sociais intrínsecos, regras que são muitas vezes implícitas em vez de explícitas. (p. 256)

 

Perspectiva Crítica

A corrente crítica assume-se no seio das Ciências da Educação como uma perspectiva que acentua a necessidade da inter-relação com os outros na aprendizagem individual. Esta corrente, que está bastante ligada ao campo da educação de adultos, acentua necessidade da reflexão crítica, ou de pensamento crítico. Considera-se por isso que esta perspectiva é importante com vista à visão da aprendizagem no seio da escola, não como uma perspectiva individual, mas sim numa conceptualização transaccional. Tal como o construtivismo, esta corrente integra diferentes perspectivas, apresentando assim uma grande heterogeneidade.

Freire (1972, 1996), um dos autores mais importantes desta corrente, promoveu durante bastante tempo a alfabetização das populações iletradas da América Latina. Para este autor, o objectivo da reflexão crítica é o de levar a pessoa a dar-se conta das estruturas de poder que o querem manter em situação de dependência. A reflexão crítica, possibilita que o indivíduo tome consciência da realidade que o envolve e das estruturas de opressão que o oprimem. Mas, a reflexão crítica não se detém apenas na tomada de consciência; ela permite ao indivíduo libertar-se dessa mesma opressão: trata-se do processo de empowerment. O processo de reflexão crítica não é de forma alguma um processo individualista; é no diálogo e interacção com os outros que o indivíduo se dá conta de visões alternativas da realidade, e contribuir para uma consciência colectiva de intervenção contra as estruturas de injustiça. Por isso, este autor afirma que um currículo que ignore o racismo, a desigualdade sexual, a exploração dos trabalhadores, e outras formas de opressão, contribui para a manutenção do status quo. A reflexão crítica permite o desenvolvimento da consciência com vista à acção e transformação social.

A prática educativa deve contribuir, desta forma, para a participação comunitária do indivíduo:

 

Em última análise, o que o enunciado sugere é que, partindo de uma compreensão crítica da prática educativa bem como de uma compreensão crítica da participação comunitária, nos alonguemos em considerações e análises em torno das suas relações. Em torno de como, fazendo educação numa perspectiva crítica, progressista, nos obrigamos, por coerência, a engendrar, a estimular, a favorecer, na própria prática educativa, o exercício do direito à participação por parte de quem esteja directa ou indirectamente ligado ao que fazer educativo. (1996, p. 305)

 

Heaney (1992) afirma que a educação de adultos tem que promover a participação comunitária, devendo estar ligada à participação na luta pelos direitos cívicos dos cidadãos. Este autor (1993) considera que a educação de adultos não é apenas dar a conhecer novos factos. É ajudar a conhecer o que se sabe, reflectindo sobre a experiência pessoal, tornando esse mesmo conhecimento poder de acção:

 

A educação de adultos é a tarefa de dar nome ao nosso mundo, vir a conhecer as conexões entre elementos dispersos da nossa experiência, conhecer a nossa realidade em ordem a controlá-la. (…) A literacia não é apenas a aquisição de palavras, mas a aquisição de voz em assuntos que afectam a nossa vida do dia a dia. (p. 2)

 

Brookfield (1986) considera que a análise crítica das perspectivas alternativas é fundamental com vista a aprendizagens significativas:

 

Aprender a ser um bom discípulo, ser um funcionário burocrata eficiente, ou ser um exemplar membro de um partido político, são exemplos nos quais as técnicas de autodirecção na aprendizagem podem ser evidentes. Contudo, em nenhum destes projectos é exibido pensamento crítico em relação a outras alternativas, opções, ou possibilidades (p. 57-58).

 

A análise de outras possibilidades é fundamental para que o indivíduo aprenda significativamente, e não seja um mero reprodutor de técnicas ou conteúdos. Mas, para encontrar novos meios de pensar e viver, o aprendente tem de ser capaz de interagir com os outros. Brookfield (1987) considera que o processo de reflexão crítica envolve quatro fases: 1) acontecimento desencadeador (algo que causa uma sensação de desconforto e perplexidade); 2) exploração (procura de soluções para reduzir esse desconforto); 3) desenvolvimento de perspectivas alternativas (selecção de novos papéis que o aprendente deseja tomar e o desenvolvimento de conhecimentos e capacidades para esse fim); 4) integração (encontrando novos meios de pensar e viver). Para encontrar novos meios de pensar e viver, o aprendente deve partilhar e interagir com os outros. Diversos autores salientam a importância do ‘acontecimento descandeador’ no início de um processo de aprendizagem (Mezirow, 1991; Cross, 1984; Knox, 1986).

Brookfield (1993) entende que é na partilha e inter-relação com os outros que o verdadeiro sentido é alcançado. Referindo-se à aprendizagem autodirigida, o autor alerta para o perigo de se ver apenas a aprendizagem em torno de projectos individuais, negando, assim, a acção colectiva. Brookfield (1995) reforça a ideia de que uma grande centralização no indivíduo pode implicar a negação da importância da acção colectiva, dos interesses comuns e da interdependência.

Garrison (1992) considera importante que o indivíduo assuma a responsabilidade de refazer o sentido dos esquemas assumidos, mas a comunicação e inter-relação com os outros é fundamental para validar esse sentido. Para este autor, a autoreflexão crítica não é suficiente para gerar conhecimento: a verdadeira integração dos novos conhecimentos e perspectivas requer, além da reflexão do indivíduo, a partilha e inter-relação com os outros. "Deve existir uma interacção entre a colaboração (mundo partilhado) e a reflexão (mundo privado) para a confirmação de novas ideias e perspectivas através da experiência." (p.139).

Mezirow (1991) considera que a reflexão crítica envolve sempre aprendizagem. Segundo este autor, a aprendizagem é o processo de fazer ou refazer interpretações do sentido de uma experiência, a qual conduz ao subsequente conhecimento. A aprendizagem é, assim, o processo de rever o sentido dos esquemas assumidos, ou seja, aceder a perspectivas alternativas.

Seguindo o pensamento de Jurgen Habermas, Mezirow afirma que a reflexão crítica deve conduzir os indivíduos a serem cidadãos activos, especialmente ao nível de movimentos sociais preocupados com a qualidade de vida: "direitos civis, ecologia, paz, direitos da mulher, democracia popular, e outros movimentos preocupados em manter as condições essenciais para a activa participação na reflexão crítica através do diálogo entre todos." (p. 72).

Lima (1996) considera ser necessário que a escola não seja um espaço onde se promovem os ideais do individualismo, da competitividade, e do sucesso. Assim, este autor acentua a importância da educação de adultos como um contributo fundamental para a construção da cidadania e para a democratização da democracia:

 

O reconhecimento dos contributos da educação de adultos para a construção da cidadania democrática conduziria certamente à transformação da educação de adultos em projecto político-educativo da maior actualidade na sociedade portuguesa. Temos por isso defendido a urgência de recolocar a educação de adultos na agenda das políticas educativas, elegendo-a como objecto de discussão e de debate públicos, esclarecendo os seus sentidos e a sua relevância social. (p.293)

 

A Aprendizagem Autodirigida

 

A aprendizagem autodirigida pode ser entendida à primeira vista como uma aprendizagem solitária e isolada, onde o aprendente autodirigido é representado como o Robison Crusoé da aprendizagem. A literatura mais relevante sobre esta temática tem centrado a sua atenção sobre a necessidade de na aprendizagem autodirigida, o indivíduo interagir com os outros. A aprendizagem autodirigida necessita e requer a colaboração com os outros (Brookfield, 1995; Garrison, 1992; Candy, 1991; Kerka, 1994). O aprendente autodirigido não deve ser visto como independente ou dependente, mas sim como interdependente, adquirindo os novos conhecimentos através do diálogo, feedback e reflexão com professores, facilitadores, mentores, colegas de aprendizagem, etc.: é na inter-relação com os outros que o verdadeiro sentido é alcançado (Brookfield, 1987; Garrison, 1992).

Ao longo do processo de aprendizagem, o aprendente autodirigido assume a principal responsabilidade de desenvolver diversas etapas do processo de aprendizagem autodirigida: identificação das suas necessidades de aprendizagem, estabelecimento de objectivos, elaboração de critérios de avaliação, identificação de recursos, implementação de estratégias apropriadas, avaliação dos resultados obtidos na aprendizagem (Knowles, 1975). Mas estes procedimentos pedagógicos não são suficientes para que o aprendente autodirigido tenha sucesso na sua aprendizagem (Long, 1991), ou para que se verifique verdadeiro controlo sobre a aprendizagem (Brookfield, 1986).

É necessário, pois, estar atento e analisar outras perspectivas, possibilitando a mudança interna da consciência psicológica do aprendente, ou seja aprender. É no aprendente que se desenrola todo o processo de aprendizagem, no sentido de que a aprendizagem é igual a processo interno (Long, 1991; Tremblay e Theil, 1991). Se o resultado é a mudança interna da consciência psicológica do aprendente (Brookfield, 1986; Garrison, 1992, Mezirow, 1985), o que é facto é que esta mudança só se verifica após o aprendente ter interagido com os outros (Garrison, 1992).

O aprendente autodirigido deve estar aberto a novas perspectivas e ideias, ou seja, deve estar aberto a novas aprendizagens, e é na inter-relação com os outros que ele descobre e valida outras perspectivas. Desta forma, o aprendente autodirigido não é dependente nem independente: é interdependente (Garrison, 1992). Mezirow (1981) sintetiza da melhor forma a aprendizagem como processo interno que visa o auto- conhecimento (reflexão crítica), a aprendizagem como função instrumental de acção no meio que envolve o aprendente, e a interacção com os outros:

 

O aprendente autodirigido tem acesso a perspectivas alternativas para entender a sua situação e para dar sentido e direcção à sua vida, adquiriu sensibilidade e competência na interacção social, e tem as competências e capacidades necessárias para controlar as tarefas produtivas associadas com o controlo e manipulação do ambiente. (p. 21)

 

Assumir o controlo sobre a própria aprendizagem não é uma questão de tudo ou nada, ou seja, num extremo o controlo do aprendente e noutro extremo o controlo do professor. O controlo sobre a aprendizagem deve ser conceptualizado numa dimensão de continuidade entre o controlo do aprendente e o controlo do professor (Kasworm, 1992; Grow, 1991; Candy, 1991). Além disso, a autonomia do aprendente autodirigido, e por conseguinte o controlo que ele assume sobre a sua aprendizagem, está bastante dependente das circunstâncias que envolvem o processo de aprendizagem: "uma pessoa pode variar claramente no grau de independência que exibe de uma situação para outra" (Candy, 1991, p. 139).

Contudo, não se nega que existam pessoas mais predispostas a assumirem o controlo sobre as suas aprendizagens do que outras. Brockett e Hiemstra (1991) consideram, que a predisposição do indivíduo em assumir a responsabilidade principal por aprender, é um elemento muito importante na investigação da aprendizagem autodirigida. Kasworm (1983) apresenta diversas sequências a nível do desenvolvimento do indivíduo na aquisição de competência como aprendente autodirigido. Guglielmino (1977), considerando que existem características pessoais que permitem ao indivíduo estar mais aberto e predisposto à autodirecção, desenvolveu uma escala a fim de medir a abertura à autodirecção: numerosos estudos sobre a aprendizagem autodirigida têm utilizado esta escala desde então.

No entanto, alguns autores (Candy, 1991; Kerka, 1994; Couceiro, 1995) chamam à atenção de que esta predisposição à autodirecção também se pode desenvolver "através das múltiplas oportunidades que se foram oferecendo ao longo da vida" (Couceiro, 1995, p. 13). Desta forma, o professor pode desenvolver estratégias que permitam ao aluno ser capaz de tomar decisões e de resolver problemas por si próprio, incrementando a sua autodirecção na aprendizagem. O professor pode, assim, ajudar o aluno a ser capaz de recolher e analisar correctamente a informação e a ser autoconfiante nas suas capacidades de desenvolver com sucesso os projectos de aprendizagem.

Mas, a autonomia sobre a aprendizagem não se exerce no vácuo; é necessário que o aprendente tenha oportunidade de aprofundar aquilo que deseja conhecer. Baskett (1991) afirma que quando os recursos necessários para uma determinada aprendizagem não estão disponíveis, o aprendente não consegue ser autónomo, mesmo que tenha predisposição para tal. Baker e Nishikawa (1992) definem os recursos de aprendizagem como "os métodos disponíveis para o aluno na definição ou alcance dos resultados desejados" (p. 397).

Merriam e Caffarella (1991) observam que a localização de recursos tem um papel crucial no processo de aprendizagem autodirigida. O sucesso de um determinado projecto está muito dependente da disponibilidade dos recursos acerca da temática a abordar. A ausência ou dificuldade em aceder aos recursos pretendidos pode diluir o entusiasmo inicial do aprendente. Brookfield (1993) observa:

 

O total significado do controlo na aprendizagem autodirigida não se verifica na prática apenas pelo desejo do aprendente. Muitas supostas iniciativas de aprendizagem autodirigida naufragaram porque os que tentaram assumir o controlo sobre as suas aprendizagens não encontraram recursos para exercer devidamente esse controlo. (p. 237)

 

Numerosos autores e estudos constatam a importância das novas tecnologias da informação, como uma ferramenta fundamental na aprendizagem (Janssen, 1997; Ellsworth, 1997; Horgan, 1998), e também na aprendizagem autodirigida (Knowles, 1984; Hiemstra, 1994; Zondlo, 1995). Dentro das possibilidades que as novas tecnologias da informação nos colocam à disposição, destaca-se a Internet.

 

A Internet na Aprendizagem

A Internet assume-se hoje como um novo espaço de comunicação global. Assim, é relevante reflectir sobre de que forma a Internet pode ser uma fonte de apoio na construção das aprendizagens. Procurar-se-à ao longo deste tópico apresentar uma descrição sumária sobre a Internet, e o seu papel como novo recurso de aprendizagem.

 

Descrição sumária da Internet

As origens da Internet remontam aos princípios dos anos 60, onde diversos cientistas dos Estados Unidos começaram a explorar formas de ligar computadores e seus utilizadores, espalhados por diversos locais do país. A partir de meados dos anos 60, o governo americano apercebeu-se do impacto que os computadores poderiam ter nas áreas da educação e especialmente no desenvolvimento da investigação militar. Desta forma, o governo decidiu criar uma rede (termo utilizado para referir um conjunto de computadores ligados entre si) experimental que permitisse a investigação remota e a troca de informação. Esta rede fundada pela Agência de Projectos de Investigação Avançada do Estados Unidos foi chamada de ARPANET.

Um dos maiores impactos que a investigação da ARPANET teve na futura Internet, foi o desenvolvimento de um protocolo de ligação entre os diversos computadores desta rede: o TCP/IP (Transaction Control Protocol/Internet Portocol). Com este protocolo específico os computadores ligados à rede podiam ‘falar’ entre si, tornando-se rapidamente o protocolo da ARPANET.

Em 1989 a ARPANET foi oficialmente terminada como projecto do governo, abrindo o espaço para a Internet. Em 1990 é criado o hypertext Internet Protocol (HTTP), criando a linguagem de hipertexto, com hyperlinks que permitiam navegar de página para página no seio da Internet: estava criada a World Wide Web. Este facto permitiu a verdadeira ‘explosão’ global da Internet.

Assim esta rede global de informação alterou a forma de comunicar e aceder à informação. À medida que caminhamos para o final do século, a Internet vai-se afirmando cada vez mais nos diversos espaços da nossa vida contemporânea: política, economia, publicidade, comunicação social, investigação, etc. A Internet assume-se como um novo lugar de lazer, de divertimento, de comércio e serviços, de educação, de investigação, de informação, de comunicação, etc. Além disso, a Internet aparece como um meio que permite facilitar processos, e exemplos não faltam: home banking, declaração de impostos, administração pública, etc. Diversos artistas musicais têm percebido as potencialidades deste novo recurso. Para além das suas páginas pessoais, alguns deles têm transmitido os seus concertos via Internet, ou têm dado mesmo concertos exclusivos através dela (Paul Mcartney, Rod Stuart, entre outros). Pode-se pois constar que a Internet vai, cada vez mais, abrangendo as mais diversas áreas da nossa sociedade.

Estar ligado a esta rede global significa ter acesso a um novo mundo de possibilidades, que eram impensáveis há uns anos atrás. A Internet veio revolucionar o nosso mundo de comunicação, possibilitando-nos aceder a bibliotecas, livrarias, universidades, grupos de investigação, professores, etc., dos mais variados cantos do mundo.

 

As bases de dados, listas bibliográficas, catálogos (e catálogos de catálogos) acessíveis a partir de qualquer parte do globo proliferam na Internet. Para saber o que consta do catálogo electrónico da Biblioteca do Instituto Universitário Europeu (uma entre mais de 4000!) ou da Biblioteca Nacional Portuguesa, é absolutamente desnecessário ir a Florença ou ao Campo Grande. Podemos ligar de casa e, pelo preço de uma chamada telefónica local, pesquisar e arquivar os resultados. (Magalhães, 1995, p. 15)

Com qualquer computador pessoal, um modem (aparelho que liga o computador à linha telefónica, permitindo que a informação possa ser enviada de um computador para outro), uma linha telefónica, e um programa de navegação na Internet (mais conhecido por browser, podendo-se obter alguns deles ‘gratuitamente’ na Internet) tem-se os requisitos necessários para poder aceder a este novo mundo. Além disso, e no caso de não se ter uma ligação directa à Internet (a esmagadora maioria dos utilizadores), é também necessário recorrer a um fornecedor de serviço de acesso à Internet (ISP – Internet Service Provider). No mercado nacional existem diversas empresas dedicadas a esta área de telecomunicações, oferecendo a grande maioria delas a possibilidade de aceder à Internet com o preço de chamada telefónica local, na grande parte do território nacional.

Esta rede mundial possibilita-nos aceder a uma série de recursos, dos quais se destacam os mais importantes: serviços de busca de informação (World Wide Web, Gopher, Archie, Wais), e-mail, fóruns de discussão (newsgroups), transferência de ficheiros (FTP), e conversação em directo (IRC).

De entre os serviços de busca de informação, a World Wide Web (WWW) é a mais importante. Aliás, a WWW é a face mais visível e utilizada da Internet, tendo sido a grande responsável pela sua grande divulgação. A WWW é um sistema de gestão de informação baseado em hipertexto (HTML) e utilizando um protocolo específico (HTTP). O seu aspecto visual tem evoluído bastante nos últimos anos, não só com o aparecimento de novas versões da linguagem html (destacando-se o DHTML, possibilitando que o hipertexto se torne dinâmico), mas também com a integração de outras tecnologias no hipertexto (linguagem java; quicktime movie, um programa que se integra no hipertexto e que permite a visualização de um vídeo; etc.)

A WWW é uma biblioteca virtual que nos oferece informação sobre quase todos os temas. O facto de a grande maioria das instituições possuir um endereço na WWW, demonstra não só a grande divulgação da WWW, como também a enorme quantidade de informação nela contida. Não é por acaso, que grande número de anúncios publicitários colocam o endereço dos respectivos produtos na WWW, a fim de que os consumidores possam conhecer e descobrir melhor esses mesmos produtos.

O Gopher, que também faz parte dos serviços de informação "é um sistema organização e distribuição que assegura o fácil acesso dos utilizadores a listas hierarquizadas de recursos informativos espalhados pela Internet" (Magalhães, 1995, p. 311).

O E-mail é o correio electrónico, podendo-se enviar a mensagem que se desejar a quem quer que seja que esteja ligado à Internet. Como no correio convencional, é necessário saber o endereço electrónico da pessoa pretendida. A grande vantagem do e-mail reside na rapidez do envio das mensagens: a mensagem é rapidamente enviada (quase imediatamente) para o endereço desejado. Desta forma, o e-mail permite disponibilizar recursos de aprendizagem humanos, quebrando as fronteiras da distância e da pouca acessibilidade de recursos sobre uma determinada área.

Os fóruns de discussão (newsgroups) são centros de debate sobre os mais variados assuntos, estando divididos por núcleos temáticos. Qualquer pessoa pode ter presença activa (expressando opiniões nesse fórum) ou apenas participar (lendo apenas as opiniões desse fórum). O funcionamento destes fóruns é muito semelhante ao do e-mail, com a diferença de que a mensagem é enviada para o endereço do fórum escolhido. Desta forma, vários programas de e-mail são ao mesmo tempo programas para ler e enviar mensagens para estes fóruns.

A transferência de ficheiros (FTP) faz-se com recurso ao protocolo FTP (file transfer protocol), permitindo a partilha de ficheiros via Internet. Devido à grande adesão e expansão da WWW, também é possível transferir ficheiros na WWW. Apesar de tudo, muitas instituições ligadas ao ensino à distância distribuem os seus módulos de ensino aos seus alunos via FTP.

A conversação em directo (IRC) é uma modalidade de comunicação entre os utilizadores da Internet, sendo que a comunicação efectuada é feita em directo. Esta comunicação não é oral, mas sim escrita, apesar de já existir software que permite a comunicação audio e vídeo via Internet. Tal como nos fóruns de discussão, o IRC tem também vários canais, um para cada tema de conversação.

À medida que a globalização desta rede mundial se vai afirmando cada vez mais, novas possibilidades e recursos vão aparecendo. A televisão interactiva está a dar os primeiros passos, e a tecnologia de canais, que envia a informação desejada pelo utilizador, do servidor ligado à Internet (computador que tem a informação desejada), para o seu computador pessoal, está a afirmar-se como uma nova ferramenta para os utilizadores da Internet.

Contudo, o acesso à Internet é ainda marcado por grande lentidão. A transmissão dos pacotes de dados (é desta forma que o protocolo TCP/IP funciona) é medida por uma taxa de transferência de bits por segundo (enquanto que as taxas de transferência de dados num computador é medida por bytes por milisegundos). Os modems analógicos actuais variam em taxas de transmissão que variam entre 28 Kbit/s (bits por segundo) e 56 Kbit/s. Claro que estas taxas de transmissão não estão só dependentes das velocidades dos modems, mas também do número de utilizadores que estão a aceder a um determinado servidor, e da própria largura de banda que o servidor de acesso à Internet dispõe. Em alternativa a este tipo de acesso existe a possibilidade de aceder à net através de uma conexão digital (ISDN), podendo esse acesso atingir a velocidade de transmissão de 128 kbit/s.

Assim, estão-se a procurar novas alternativas na transmissão de dados na net, ou na optimização dos meios já existentes: a possibilidade de transmissão de dados pela rede eléctrica, a utilização das fibras ópticas da televisão por cabo que poderão atingir uma taxa de transmissão por volta dos 10 Mbit/s, ou a utilização das redes telefónicas digitais (RDIS) possibilitando uma velocidade de acesso mais rápido, são disso exemplo.

Ferreira (1998) declara que grandes companhias ligadas ao ramo informático estão a promover o estudo e fabricação de um novo tipo de modem capaz de aceder à Internet através da linha telefónica, a uma velocidade trinta vezes superior à dos actuais modelos de modems telefónicos mais rápidos. Trata-se de uma nova tecnologia que permite separar as comunicações de voz das de dados, possibilitando manter um acesso à net permanentemente activo (não sendo necessário marcar o número de telefone de cada vez que se quer aceder à net). Desta forma, a globalização da net será cada vez mais uma realidade.

 

Um novo recurso

Diversos autores têm chamado à atenção para a importância da Internet na educação (Kerka, 1996; Ellsworth, 1997; Scarce, 1997; Rosen, 1997; Akers, 1997; Janssen, 1997). A Internet, e em especial a World Wide Web (WWW), torna-se um recurso valioso que é necessário aproveitar, tendo especial importância nos projectos de aprendizagem autodirigida.

Para além de ser uma excelente fonte de informação, a Internet possibilita a interacção com os outros ou seja, a partilha de opiniões, sugestões, críticas, e visões alternativas. Ellsworth (1997) observa que se vive numa sociedade baseada na informação, exigindo-se a capacidade de aquisição e análise dessa mesma informação. Desta forma, o mundo contemporâneo exige que o indivíduo seja capaz de pensamento crítico e capaz de solucionar problemas. Gokhale (1995) considera que a aprendizagem colaborativa dá aos alunos a oportunidade entrar em discussão com os outros, tomar a responsabilidade pela própria aprendizagem, e assim torná-los capazes de pensamento crítico.

No entanto, a interacção com os outros não requer necessariamente a sua presença física. Ao longo da história, o homem foi criando e utilizando diversas formas de comunicação a fim de ultrapassar as distâncias que o separavam dos outros. Sinais de fumo, tambores, bandeiras, escrita, etc. São alguns exemplos de diversas formas de interacção que o homem utilizou ao longo da história. Mais recentemente, o homem utilizou os seus conhecimentos técnicos a fim de criar novas ferramentas de comunicação: telefone, rádio, televisão, computadores. Nesta fase final do século, as telecomunicações abrem-nos novas portas para comunicar. Cada um destes meios cria diferentes formas e possibilidades de interacções com os outros (Scarce, 1997).

Kovel-Jarboe (1996) declara que as novas tecnologias, em especial a Internet, permitem dar voz àqueles que estão isolados pela situação geográfica em que estão inseridos, ou que têm pouca representatividade no sistema educativo, podendo assim transmitir a todos as suas perspectivas e visões únicas do mundo. Este aspecto merece particular destaque, pois uma das grandes ‘revoluções’ que a Internet trouxe foi o romper com as distâncias, permitindo que locais que estão longe dos centros de informação, possam aceder a ela com um simples ‘clique de rato’. Mas, também permite que esses mesmos locais possam expressar a sua voz, transmitindo as suas opiniões. Hoje para as escolas que antes estavam isoladas pela sua situação geográfica, abrem-se novas portas onde as possibilidades são muitas: projectos de intercâmbio, partilha de informação, formação à distância, visitas de estudo, etc.

Akers (1997) observa que os fóruns de discussão existentes na WWW (inseridos numa página de hipertexto e divididos por tópicos temáticos) são um lugar de partilha de informação, tendo a grande vantagem de estarem organizados por unidades temáticas, sendo bastante fácil seleccionar cada uma delas. Desta forma, os participantes interpretam e analisam as perspectivas dos outros, reflectem sobre os seus próprios conhecimentos e leituras, apresentam os seus pontos de vista, e apresentam endereços da WWW que confirmem as suas ideias. Rao (1997) afirma também que estes fóruns são um excelente recurso de aprendizagem, onde é possível a troca de opiniões, ideias, e experiências.

Pode-se, pois, constatar que esta rede global é um excelente recurso de aprendizagem, devido ao seu manancial de informação, ajudando no desenvolvimento de aprendizagens autónomas. O controlo sobre a própria aprendizagem não se exerce no vácuo, são necessários recursos de aprendizagem para que o aprendente possa conhecer melhor a temática que deseja aprender, assumindo desta forma um efectivo controlo sobre a sua aprendizagem.

Para além disso, a Internet contribui para pensamento crítico, ou seja para a análise de outras perspectivas, de outras visões da realidade, de outras opiniões sobre o mesmo assunto. Ao dar-se conta de outras perspectivas que desconhecia o aprendente pode ‘ir mais a fundo’ no tema de aprendizagem, e assim efectuar aprendizagens significativas. Este aspecto tem particular relevo no campo educativo onde se poderão criar espaços de debate e partilha de ideias através do hipertexto. São, pois, novos desafios que se colocam às escolas e aos seus diversos actores.

A Internet possibilita também a partilha de projectos, de ideias, de trabalhos entre as mais variadas escolas e instituições. Muitos projectos extra-curriculares têm na Internet um novo espaço que lhes permitirá dar uma nova dimensão às actividades desenvolvidas no seio dessas áreas extra-curriculares, onde se poderão partilhar ideias, iniciativas, promover projectos comuns, procurar parcerias, etc.

Assim, a Internet é uma novo recurso que coloca que possibilita o acesso a um grande manancial de informação. Ela é um novo espaço potenciador de novas aprendizagens, ou de aprofundamento de conhecimentos já adquiridos. A Internet deve ser vista como um excelente meio para aprofundamento de uma determinada temática a ser desenvolvida por uma determinada disciplina. A sala de aula mais tarde ou mais cedo tem que ‘abrir as portas’ a esta realidade. Não é por acaso que algumas editoras escolares já começam a colocar endereços da Internet com vista promover a pesquisa por parte dos alunos, e do próprio professor que poderá assim obter informação adicional e actualizada sobre um determinado tema. As possibilidades são diversas: desde pesquisas, criação de debates sobre um tema da componente curricular da disciplina, espaço hipertextual para contacto e colocação de dúvidas ao professor, colocação à disposição de materiais didácticos, projectos interdisciplinares, etc.

Por isso, a formação de professores assume especial pertinência nesta área. A Internet é uma ferramenta preciosa que pode ser utilizada na leccionação de conteúdos programáticos. Obviamente, que tal como com os outros meios de comunicação, especialmente os meios audio-visuais, exige que o professor pesquise previamente e seleccione os endereços que considera à partida mais relevantes para a temática que pretende abordar. Se é verdade que a navegação na Internet através das hiperligações na WWW nos leva sempre a ‘outras paragens’, o facto é que a utilização na Internet no contexto da sala de aula implica que previamente os alunos saibam o que vão fazer, e o que devem pesquisar.

 

Conclusão

A premência da Internet é muito mais do que uma questão de moda. Ela veio facilitar e potenciar as aprendizagens pessoais, pondo à disposição de um simples clique de rato um mundo novo cheio de potencialidades e de recursos. A Internet não é um mundo solitário, onde o aprendente apenas interage com o computador; nela o aprendente pode interagir com outras pessoas, receber feedback, ter acesso a outras perspectivas, permitindo-lhe assumir um maior controlo sobre a aprendizagem.

A Internet faz hoje parte do nosso mundo, incluindo o espaço escolar, e a educação não pode passar ao lado desta realidade. Este novo recurso põe à disposição um novo mar de possibilidades para novas aprendizagens, permite a interacção com outras pessoas das mais variadas culturas, possibilita o intercâmbio de diferentes visões e realidades, e auxilia a procura de respostas para os problemas. Ela é um excelente recurso para a aprendizagem. Assim, a Internet não pode ser vista como um mundo à parte, que nada tem a ver com a sala de aula. Pelo contrário, se até há pouco tempo já existiam poucas dúvidas de que a sala de aula seria a fonte de informação por excelência, hoje definitivamente essa ideia está completamente ultrapassada. As diversas ferramentas existentes na net, oferecem inúmeras possibilidades para aprender, e esse facto não pode ser, de forma alguma, desprezado.

 

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