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A Internet na Educação: um contributo para a Aprendizagem Autodirigida

 

 

RUI MANUEL MOURA (1998). Inovação, 11, 177-129

 

 

O objectivo principal deste artigo é apresentar a importância da aprendizagem autodirigida no contexto educativo, e o modo como a Internet pode ajudar, e potenciar, este tipo de aprendizagem. Numa primeira parte apresenta-se uma síntese da literatura mais relevante acerca do conceito de aprendizagem autodirigida. Numa segunda parte descreve-se  o contributo da Internet para a Educação, procurando-se, também, enunciar os diversos recursos que a Internet faculta. Conclui-se, indicando a necessidade de incrementar a aprendizagem autodirigida no espaço escolar, aproveitando as imensas potencialidades que a Internet disponibiliza para este tipo de aprendizagem.

 

Introdução

 

            Vivemos hoje num mundo de constantes transformações aos mais diversos níveis: político, social, económico, educativo, tecnológico, etc. Projectos que tempos atrás eram do âmbito da ficção científica, são agora uma realidade entre nós. “Apesar deste desconcertante turbilhão, contudo, uma coisa mantêm-se mais ou menos constante: a limitação da capacidade das pessoas em lidar com a mudança. (...) Com vista a dar resposta a esta necessidade, tem sido enfatizada a necessidade de ‘indivíduos autodirigidos’ que são capazes, seja de conduzir a sua educação, seja de aprender por eles próprios sem a pesada estrutura das instituições educativas” (Candy, 1991, p. xiii). Apesar da grande importância e do grande incremento da investigação sobre a aprendizagem autodirigida no campo da educação (Moura, 1997A; Long, 1992; Candy, 1991), isso não significa que ela seja a única e definitiva resposta para lidar com as constantes transformações contemporâneas. No entanto, é uma forma de aprendizagem que é necessário enfatizar na educação do indivíduo, desafiando-o a “assumir-se como sujeito do seu processo formativo” (Couceiro, 1995, p. 8).

            Duas das áreas que mais evoluíram nesta fase final do nosso século foram a informática e as telecomunicações. Nesta década um novo espaço de comunicação globalizou-se e deixou de estar restrito apenas a algumas pessoas: a Internet. Hoje com este meio é possível trocar informações instantaneamente, e aceder rapidamente a novas soluções. Assim, é pertinente considerar esta nova ferramenta como um precioso auxílio na aprendizagem, em especial na aprendizagem autodirigida.

            Procurando explorar a importância da Internet para a aprendizagem autodirigida, este artigo encontra-se dividido em duas partes: (i) conceito da aprendizagem autodirigida; (ii) a importância da Internet no contexto educativo e em especial na aprendizagem autodirigida.

 

 

O Conceito da Aprendizagem Autodirigida

 

A aprendizagem autodirigida pode ser entendida à primeira vista como uma aprendizagem solitária e isolada, onde o aprendente autodirigido é representado como o Robison Crusoé da aprendizagem. A literatura mais relevante sobre esta temática tem centrado a sua atenção sobre a necessidade de na aprendizagem autodirigida, o indivíduo interagir com os outros. A aprendizagem autodirigida necessita e requer  a colaboração com os outros (Brookfield, 1995; Garrison, 1992; Candy, 1991; Kerka, 1994). O aprendente autodirigido não deve ser visto como independente ou dependente, mas sim como interdependente, adquirindo os novos conhecimentos através do diálogo, feedback e reflexão com professores, facilitadores, mentores, colegas de aprendizagem, etc.: é na inter-rela­ção com os outros que o verdadeiro sentido é alcançado (Brookfield, 1997; Garrison, 1992). Ao longo do processo de aprendizagem, o aprendente autodirigido assume a principal responsabilidade de desenvolver diversas etapas do processo de aprendizagem autodirigida: identificação das suas necessidades de aprendizagem, estabelecimento de objectivos, elaboração de critérios de avaliação, identificação de recursos, implementação de estratégias apropriadas, avaliação dos resultados obtidos na aprendizagem (Knowles, 1975).

Mas estes procedimentos pedagógicos não são suficientes para que o aprendente autodirigido tenha sucesso na sua aprendizagem (Long, 1992), ou para que se verifique verdadeiro controlo sobre a aprendizagem (Brookfield, 1986). Para este último autor “aprender a ser um bom discípulo, ser um funcionário burocrata eficiente, ou ser um exemplar membro de um partido político, são exemplos nos quais as técnicas de autodirecção na aprendizagem podem ser evidentes. Contudo, em nenhum destes projectos é exibido pensamento crítico em relação a outras alternativas, opções, ou possibilidades” (Brookfield, 1986, p. 57-58). É necessário, pois, estar atento e analisar outras perspectivas, possibilitando a mudança interna da consciência psicológica do aprendente, ou seja aprender. É no aprendente que se desenrola todo o processo de aprendizagem, no sentido de que a aprendizagem é igual a processo interno (Long, 1991; Tremblay e Theil, 1991). Se o resultado é a mudança interna da consciência psicológica do aprendente (Brookfield, 1986; Garrison, 1992, Mezirow, 1985), o que é facto é que esta mudança só se verifica após o aprendente ter interagido com os outros (Garrison, 1992).

O aprendente autodirigido deve estar aberto a novas perspectivas e ideias, ou seja, deve estar aberto a novas aprendizagens, e é na inter-relação com os outros que ele descobre e valida outras perspectivas. Desta forma, o aprendente autodirigido não é dependente nem independente: é interdependente (Garrison, 1992). Mezirow (1981) sintetiza da melhor forma a aprendizagem como processo interno que visa o auto- conhecimento (reflexão crítica), a aprendizagem como função instrumental de acção no meio que envolve o aprendente, e a interacção com os outros:

 

O aprendente autodirigido tem acesso a perspectivas alternativas para entender a sua situação e para dar sentido e direcção à sua vida, adquiriu sensibilidade e competência na interacção social, e tem as competências e capacidades necessárias para controlar as tarefas produtivas associadas com o controlo e manipulação do ambiente. (p. 21)

 

Assumir o controlo sobre a própria aprendizagem não é uma questão de tudo ou nada, ou seja, num extremo o controlo do aprendente e noutro extremo o controlo do professor. O controlo sobre a aprendizagem deve ser conceptualizado numa dimensão de continuidade entre o controlo do aprendente e o controlo do professor (Kasworm, 1992; Grow, 1991; Candy, 1992). Além disso, a autonomia do aprendente autodirigido, e por conseguinte o controlo que ele assume sobre a sua aprendizagem, está bastante dependente das circunstâncias que envolvem o processo de aprendizagem: “uma pessoa pode variar claramente no grau de independência que exibe de uma situação para outra” (Candy, 1991, p. 139).

Contudo, não se nega que existam pessoas mais predispostas a assumirem o controlo sobre as suas aprendizagens do que outras. Brockett e Hiemstra (1991) consideram, que a predisposição do indivíduo em  assumir a responsabilidade principal por aprender, é um elemento muito importante na investigação da aprendizagem autodirigida. Kasworm (1983) apresenta diversas sequências a nível do desenvolvimento do indivíduo na aquisição de competência como aprendente autodirigido. Guglielmino (1977), considerando que existem características pessoais que permitem ao indivíduo estar mais aberto e predisposto à autodirecção, desenvolveu uma escala a fim de medir a abertura à autodirecção: numerosos estudos sobre a aprendizagem autodirigida tem utilizado esta escala desde então.

No entanto, alguns autores (Candy, 1991; Long, 1992; Kerka, 1994; Couceiro, 1995)  chamam à atenção de que esta predisposição à autodirecção também se pode desenvolver “através das múltiplas oportunidades que se foram oferecendo ao longo da vida” (Couceiro, 1995, p. 13). Desta forma, o professor pode desenvolver estratégias que permitam ao aluno ser capaz de tomar decisões e de resolver problemas por si próprio, incrementando a sua autodirecção na aprendizagem. O professor pode, assim, ajudar o aluno a ser capaz de recolher e analisar correctamente a informação e a ser autoconfiante nas suas capacidades de desenvolver com sucesso os projectos de aprendizagem.

Mas, a autonomia sobre a aprendizagem não se exerce no vácuo; é necessário que o aprendente tenha oportunidade de aprofundar aquilo que deseja conhecer. Baskett (1991) afirma que quando os recursos necessários para uma determinada aprendizagem não estão disponíveis, o aprendente não consegue ser autónomo, mesmo que tenha predisposição para tal. Baker e Nishikawa (1992) definem os recursos de aprendizagem como “os métodos disponíveis para o aluno na definição ou alcance dos resultados desejados” (p. 397).

Merriam e Caffarella (1991) observam que a localização de recursos tem um papel crucial no processo de aprendizagem autodirigida. O sucesso de um determinado projecto está muito dependente da disponibilidade dos recursos acerca da temática a abordar. A ausência ou dificuldade em aceder aos recursos pretendidos pode diluir o entusiasmo inicial do aprendente. Brookfield (1993) observa:

 

O total significado do controlo na aprendizagem autodirigida não se verifica na prática apenas pelo desejo do aprendente. Muitas supostas iniciativas de aprendizagem autodirigida naufragaram porque os que tentaram assumir o controlo sobre as suas aprendizagens não encontraram recursos para exercer devidamente esse controlo. (p. 237)

 

Moura (1997B) referencia, num estudo que desenvolveu sobre a aprendizagem autodirigida, que a identificação e localização de recursos é crucial para que os aprendentes possam assumir um maior controlo sobre as suas aprendizagens. O acesso aos recursos desejados permitiu que os aprendentes pudessem dominar melhor os seus temas de investigação, permitindo que alguns deles descobrissem “novas perspectivas sobre os seus temas de investigação, que inicialmente eram ignoradas ou pouco conhecidas, no incremento do seu entusiasmo e segurança” (p. 279-280). Long (1992) constata também a importância dos recursos de aprendizagem:

 

No início da aprendizagem o aprendente tem apenas uma vaga ideia daquilo que pretende aprender. Por querer aprender a representar, a pintar, a usar o computador, etc., à medida que o aprendente obtém mais informação os objectivos da aprendizagem vão-se tornando mais claros. (p. 5)

 

Numerosos autores e estudos constatam a importância das novas tecnologias da informação, como uma ferramenta fundamental na aprendizagem (Janssen, 1997; Ellsworth, 1997; Horgan, 1998), e também na aprendizagem autodirigida (Knowles, 1984; Hiemstra, 1994; Zondlo, 1995). Dentro das possibilidades que as novas tecnologias da informação nos colocam à disposição, destaca-se a Internet.

 

 

A Internet e a Aprendizagem Autodirigida

 

Um novo recurso

 

            Diversos autores têm chamado à atenção para a importância da Internet na educação (Kerka, 1996; Ellsworth, 1997; Scarce, 1997; Rosen, 1997; Akers, 1997; Janssen, 1997). A Internet, e em especial a World Wide Web (WWW), torna-se um recurso valioso que é necessário aproveitar, tendo especial importância nos projectos de aprendizagem autodirigida.

            Para além de ser uma excelente fonte de informação, a Internet possibilita a interacção com os outros ou seja, a partilha de opiniões, sugestões, críticas, e visões alternativas. Ellsworth (1997) observa que se vive numa sociedade baseada na informação, exigindo-se a capacidade de aquisição e análise dessa mesma informação. Desta forma, o mundo contemporâneo exige que o indivíduo seja capaz de pensamento crítico e capaz de solucionar problemas. Gokhale (1995) considera que a aprendizagem colaborativa dá aos alunos a oportunidade entrar em discussão com os outros, tomar a responsabilidade pela própria aprendizagem, e assim torná-los capazes de pensamento crítico.

            No entanto, a interacção com os outros não requer necessariamente a sua presença física. Ao longo da história, o homem foi criando e utilizando diversas formas de comunicação a fim de ultrapassar as distâncias que o separavam dos outros. Sinais de fumo, tambores, bandeiras, escrita, etc. São alguns exemplos de diversas formas de interacção que o homem utilizou ao longo da história. Mais recentemente, o homem utilizou os seus conhecimentos técnicos a fim de criar novas ferramentas de comunicação: telefone, rádio, televisão, computadores. Nesta fase final do século, as telecomunicações abrem-nos novas portas para comunicar. Cada um destes meios cria diferentes formas e possibilidades de interacções com os outros (Scarce, 1997).

            Kovel-Jarboe (1996) declara que as novas tecnologias, em especial a Internet, permitem dar voz àqueles que estão isolados pela situação geográfica em que estão inseridos, ou que têm pouca representatividade no sistema educativo, podendo assim transmitir a todos as suas perspectivas e visões únicas do mundo. Akers (1997) observa que os fóruns de discussão existentes na WWW (inseridos numa página de hipertexto e divididos por tópicos temáticos) são um lugar de partilha de informação, tendo a grande vantagem de estarem organizados por unidades temáticas, sendo bastante fácil seleccionar cada uma delas. Desta forma, os participantes interpretam e analisam as perspectivas dos outros, reflectem sobre os seus próprios conhecimentos e leituras, apresentam os seus pontos de vista, e apresentam endereços da WWW que confirmem as suas ideias. Rao (1997) afirma também que estes fóruns são um excelente recurso de aprendizagem, onde é possível a troca de opiniões, ideias, e experiências.

            Como já se referiu anteriormente, aprendizagem autodirigida não significa isolamento. A interacção com os outros possibilita ter acesso a outras perspectivas, que inicialmente eram ignoradas ou pouco conhecidas. Este facto permite que o aprendente conheça mais aprofundadamente a sua temática de aprendizagem, como também motivá-lo ainda mais para essa mesma aprendizagem. Desta forma, a Internet é não só um excelente recurso de aprendizagem (onde se tem acesso a bibliotecas, artigos, publicações on-line, referências bibliográficas, etc.), como também a outras perspectivas e visões sobre a temática em questão.

            Se o resultado final da aprendizagem autodirigida é a mudança interna do aprendente (Mezirow, 1985; Brookfield, 1986; Long, 1991), a interacção com os outros é crucial para a qualidade do resultado desse mesmo processo de aprendizagem. Brookfield (1986) chama à atenção que mesmo na investigação aparentemente isolada (na leitura de um livro, na utilização de um computador, na visualização de um documentário, etc.) os autores desses recursos estão a interagir connosco, pois estão-nos a transmitir as suas perspectivas, influenciando a nossa aprendizagem:

 

Ao procurarem adquirir competências, conhecimentos, e investigações, os adultos contactam com livros, revistas, programas de computador, etc.; todos eles criados por pessoas com a finalidade de facilitar o desenvolvimento de competências ou aquisição de conhecimentos. Apesar dos escritores destes livros, revistas e programas não estarem fisicamente presentes perante o aprendente, no entanto eles controlam parcialmente as operações cognitivas do aprendente. (p. 48)

 

Descrição sumária da Internet

 

A rede global de informação, mais conhecida por Internet, alterou a forma de comunicar e aceder à informação. À medida que caminhamos para o final do século, a Internet vai-se afirmando cada vez mais nos diversos espaços da nossa vida contemporânea: política, economia, publicidade, comunicação social, investigação, etc. A Internet assume-se como um novo lugar de lazer, de divertimento, de comércio e serviços, de educação, de investigação, de informação, de comunicação, etc. A Internet vai, cada vez mais, abrangendo as mais diversas áreas da nossa sociedade.

A Internet é uma rede mundial de computadores ligados entre si e que usam um protocolo de ligação comum (TCP/IP), partilhando dados da mais diversa ordem. Estar ligado a esta rede global significa ter acesso a um novo mundo de possibilidades, que eram impensáveis há uns anos atrás. A Internet veio revolucionar o nosso mundo de comunicação, possibilitando-nos aceder a bibliotecas, livrarias, universidades, grupos de investigação, professores, etc., dos mais variados cantos do mundo.

 

As bases de dados, listas bibliográficas, catálogos (e catálogos de catálogos) acessíveis a partir de qualquer parte do globo proliferam na Internet. Para saber o que consta do catálogo electrónico da Biblioteca do Instituto Universitário Europeu (uma entre mais de 4000!) ou da Biblioteca Nacional Portuguesa, é absolutamente desnecessário ir a Florença ou ao Campo Grande. Podemos ligar de casa e, pelo preço de uma chamada telefónica local, pesquisar e arquivar os resultados. (Magalhães, 1995, p. 15)

 

            Com qualquer computador pessoal, um modem (aparelho que liga o computador à linha telefónica, permitindo que a informação possa ser enviada de um computador para outro), uma linha telefónica, e um programa de navegação na Internet (mais conhecido por browser, podendo-se obter alguns deles ‘gratuitamente’ na Internet) tem-se os requesitos necessários para poder aceder a este novo mundo. Além disso, e no caso de não se ter uma ligação directa à Internet (a esmagadora maioria dos utilizadores), é também necessário recorrer a um fornecedor de serviço de acesso à Internet (ISP – Internet Service Provider). No mercado nacional existem diversas empresas dedicadas a esta área de telecomunicações, oferecendo a grande maioria delas a possibilidade de aceder à Internet com o preço de chamada telefónica local, na grande parte do território nacional.

            Esta rede mundial possibilita-nos aceder a uma série de recursos, dos quais se destacam os mais importantes: serviços de busca de informação (World Wide Web, Gopher, Archie, Wais), e-mail, fóruns de discussão (newsgroups), transferência de ficheiros (FTP), e conversação em directo (IRC).

            De entre os serviços de busca de informação, a World Wide Web (WWW) é a mais importante. Aliás, a WWW é a face mais visível e utilizada da Internet. A WWW é um sistema de gestão de informação baseado em hipertexto (HTML) e utilizando um protocolo específico (HTTP). A WWW é uma biblioteca virtual que nos oferece informação sobre quase todos os temas. O facto de a grande maioria das instituições possuir um endereço na WWW, demonstra não só a grande divulgação da WWW, como também a enorme quantidade de informação nela contida. Não é por acaso, que grande número de anúncios publicitários colocam o endereço dos respectivos produtos na WWW, a fim de que os consumidores possam conhecer e descobrir melhor esses mesmos produtos. O Gopher, que também faz parte dos serviços de informação “é um sistema organização e distribuição que assegura o fácil acesso dos utilizadores a listas hierarquizadas de recursos informativos espalhados pela Internet” (Magalhães, 1995, p. 311).

            O E-mail é o correio electrónico, podendo-se enviar a mensagem que se desejar a quem quer que seja que esteja ligado à Internet. Como no correio convencional, é necessário saber o endereço electrónico da pessoa pretendida. A grande vantagem do e-mail reside na rapidez do envio das mensagens: a mensagem é rapidamente enviada (quase imediatamente) para o endereço desejado. Desta forma, o e-mail permite disponibilizar recursos de aprendizagem humanos, quebrando as fronteiras da distância e da pouca acessibilidade de recursos sobre uma determinada área.

            Os fóruns de discussão (newsgroups) são centros de debate sobre os mais variados assuntos, estando divididos por núcleos temáticos. Qualquer pessoa pode ter presença activa (expressando opiniões nesse fórum) ou apenas participar (lendo apenas as opiniões desse fórum). O funcionamento destes fóruns é muito semelhante ao do e-mail, com a diferença de que a mensagem é enviada para o endereço do fórum escolhido. Desta forma, vários programas de e-mail são ao mesmo tempo programas para ler e enviar mensagens para estes fóruns.

            A transferência de ficheiros (FTP) faz-se com recurso ao protocolo FTP (file transfer protocol), permitindo a partilha de ficheiros via Internet. Devido à grande adesão e expansão da WWW, também é possível transferir ficheiros na WWW. Apesar de tudo, muitas instituições ligadas ao ensino à distância distribuem os seus módulos de ensino aos seus alunos via FTP.

            A conversação em directo (IRC) é uma modalidade de comunicação entre os utilizadores da Internet, sendo que a comunicação efectuada é feita em directo. Esta comunicação não é oral, mas sim escrita, apesar de já existir software que permite a comunicação audio e vídeo via Internet. Tal como nos fóruns de discussão, o IRC tem também vários canais, um para cada tema de conversação.

            À medida que a globalização desta rede mundial se vai afirmando cada vez mais, novas possibilidades e recursos vão aparecendo. A televisão interactiva está a dar os primeiros passos, e a tecnologia de canais, que envia a informação desejada pelo utilizador, do servidor ligado à Internet (computador que tem a informação desejada), para o seu computador pessoal, está a afirmar-se como uma nova ferramenta para os utilizadores da Internet. Apesar de o acesso à Internet ser ainda marcado por grande lentidão, estão-se a procurar novas alternativas na transmissão de dados na net, ou na optimização dos meios já existentes: a possibilidade de transmissão de dados pela rede eléctrica, a utilização das fibras ópticas da televisão por cabo, ou a utilização das redes telefónicas digitais (RDIS) possibilitando uma velocidade de acesso mais rápido, são disso exemplo.

            Ferreira (1998) declara que grandes companhias ligadas ao ramo informático estão a promover o estudo e fabricação de um novo tipo de modem capaz de aceder à Internet através da linha telefónica, a uma velocidade trinta vezes superior à dos actuais modelos de modems telefónicos mais rápidos. Trata-se de uma nova tecnologia que permite separar as comunicações de voz das de dados, possibilitando manter um acesso à net permanentemente activo (não sendo necessário marcar o número de telefone de cada vez que se quer aceder à net). Desta forma, a globalização da net será cada vez mais uma realidade.

 

Endereços Importantes na Internet

 

            De seguida apresentam-se alguns endereços na Internet (URL) importantes, sobre a aprendizagem autodirigida, e sobre o impacto da Internet na educação. Apresentam-se ainda os endereços de alguns motores de pesquisa ( ou apontadores) importantes, que permitem fazer pesquisas na Internet. A listagem que se apresenta não é de forma alguma exaustiva; ela é apenas um ponto de partida para outras “viagens”. Para uma listagem mais exaustiva, especialmente sobre a temática da aprendizagem autodirigida, é favor de contactar com o autor[1].

Para que se encontre a página desejada é necessário digitar, de forma correcta e completa no programa de navegação (browser), os endereços que de seguida se indicam. Para ajudar a uma melhor visualização, colocaram-se os endereços em letra itálica. Alerta-se para o facto destes endereços mudarem constatemente.

 

http://www.ncrel.org/skrs/areas/issues/students/learning/lr200.htm

Um artigo reflectindo sobre a importância da autodirecção na aprendizagem na educação escolar, ajudando a formar cidadãos responsáveis, que são capazes de reflectir criticamente.

Um endereço que apresenta a importância de promover a aprendizagem autodirigida nos alunos.

 

http://www.ambpeds.org/GPCC/Self_Directed_Learning.html

Um artigo abordando a necessidade de promover a aprendizagem autodirigida no ensino universitário.

 

http://www.ncrel.org/sdrs/areas/stw_esys/5erly_ch.htm

Este endereço apresenta uma síntese da investigação sobre a educação pré-escolar, apontando para a necessidade, entre outras, de se desenvolver actividades que são do interesse das crianças incrementando nelas o gosto por aprender, a curiosidade, a atenção, e a autodirecção.

 

http://www.shss.montclair.edu/inquiry/fall95/weinste.html

Um artigo bastante detalhado, sobre a corrente crítica, da autoria de Mark Weinsten. Este artigo procura também apresentar algumas aplicações práticas no campo da educação.

 

http://www.lincoln.ac.nz/educ/tip/1.htm

Neste endereço podemos encontrar um resumo das diversas teorias da aprendizagem.

 

http://www-sce.fct.unl.pt/

Este endereço pertence à Faculdade de Ciência e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa. Através dele poder-se-ão obter alguns artigos sobre o funcionamento da Internet, a listagem das instituições educativas e estrangeiras na Internet, bem como outros endereços importantes ligados ao mundo da educação.

 

http://www.newmiltek.com/articles.html

Este endereço contém diversos artigos sobre as questões mais pertinentes acerca da Internet.

 

http://sunsite.unc.edu/horizon/CD/index.html

Este endereço apresenta diversos artigos sobre a importância da Internet na educação em geral, e em algumas áreas educativas em particular.

 

http://www2.gasou.edu/facstaff/rryan/i_links.html

Diversos endereços orientados para a abordagem do impacto da Internet no Ensino Superior.

Um endereço da responsabilidade da Microsoft totalmente dedicado à integração das novas tecnologias na educação.

 

http://www.sapo.pt

O Sapo (Serviço de Apontadores Portugueses) permite, entre outras coisas, aceder às diversas instituições educativas e centros de investigação deste país.

 

http://www.altavista.com

Um dos motores de pesquisa mais procurados na Internet, sendo uma ferramenta de pesquisa extremamente poderosa. O Altavista permite pesquisas simples e pesquisas bastante elaboradas.

 

http://www.infoseek.com

Trata-se de uma ferramenta bastante simples de utilizar, mas que garante bons resultados na pesquisa. É possível fazer uma cópia gratuita (downloading) de um pequeno programa da Infoseek para o computador pessoal, permitindo executar a pesquisa à Internet sem ser necessário digitar no programa de navegação (browser) o endereço da Infossek.

 

http://www.lycos.com

http://www.hotbot.com

http://www.excite.com

Outros motores de pesquisa bastante utilizados.

 

http://www.yahoo.com

Mais do que uma ferramenta de pesquisa, este endereço permite que consultemos a Internet através de campos temáticos. Através deste endereço podemos obter uma listagem bastante numerosa das diversas instituições e comunidades educativas a nível mundial.

 

 

 

Conclusão

 

            Na aprendizagem autodirigida, o aprendente está altamente motivado, pois não só desenvolve uma temática do seu interesse pessoal, como também assume o controlo dessa mesma aprendizagem. Assim, o aprendente define os objectivos de aprendizagem, planifica a mesma, identifica recursos, reflecte e analisa criticamente os seus progressos. Desta forma, a aprendizagem autodirigida deve ser promovida no espaço escolar, aproveitando os interesses pessoais dos alunos, incrementando, assim, a sua autodirecção e a capacidade dos mesmos reflectirem criticamente. Hom e Murphy (1983) afirmam que quando os alunos trabalham em objectivos que eles próprios definiram, revelam-se mais motivados e eficientes, e alcançam melhores resultados do que quando trabalham objectivos que foram definidos pelo professor.

Mas, este controlo sobre a aprendizagem não pode ser entendido numa condição de tudo ou nada, ou seja, tendo ou não tendo o total controlo. A contribuição dos outros (professor e colegas) é muito importante para que o aprendente possa assumir esse mesmo controlo, pois é na relação com os outros que o verdadeiro sentido é alcançado, e que ele descobre outras perspectivas (Brookfield, 1996; Garrison, 1992).

Mas, para assumir o controlo das aprendizagens pessoais não basta apenas o desejo pessoal: é necessário também ter informação e recursos para poder progredir no processo de aprendizagem. A falta de recursos impede que o aprendente possa conhecer melhor a temática da sua aprendizagem, conduzindo muitas vezes à sua desmotivação e à desistência dessa mesma aprendizagem. A Internet apresenta-se, assim, como um novo recurso que oferece um manancial de informação. Nela é possível ter acesso a uma vasta quantidade de informação, que era impensável há uns tempos atrás.

A premência da Internet é muito mais do que uma questão de moda. Ela veio facilitar e potenciar as aprendizagens pessoais, pondo à disposição de um simples clique de rato um mundo novo cheio de potencialidades e de recursos. A Internet não é um mundo solitário, onde o aprendente apenas interage com o computador; nela o aprendente pode interagir com outras pessoas, receber feedback, ter acesso a outras perspectivas, permitindo-lhe assumir um maior controlo sobre a aprendizagem.

            A Internet faz hoje parte do nosso mundo, incluindo o espaço escolar, e a educação não pode passar ao lado desta realidade. Este novo recurso põe à disposição um novo mar de possibilidades para novas aprendizagens, permite a interacção com outras pessoas das mais variadas culturas, possibilita o intercâmbio de diferentes visões e realidades, e auxilia a procura de respostas para os problemas. Ela é um excelente recurso  para qualquer tipo de aprendizagem, em particular nas aprendizagens em que o aprendente assume o controlo.


 

 


 

 

 

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Notas

([1]) - A listagem mais extensa sobre a aprendizagem autodirigida inclui, também, endereços deste tipo de aprendizagem na área da educação de adultos. O endereço de correio electrónico do autor é: rui.moura@clix.pt.